Os países mais inovadores são considerados os mais desenvolvidos?

    Recentemente publicamos em nosso blog um conteúdo sobre o ranking dos países mais inovadores, apurado através do Índice Global de Inovação (GII), uma pesquisa anual publicada de forma colaborativa pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO, World Intellectual Property Organization), a Universidade americana de Cornell e a francesa INSEAD Business School, que busca guiar e ajudar os países na formulação de políticas para o desenvolvimento de soluções que estimulem a inovação.

    A Suíça manteve a posição do ano anterior e ficou em 1º lugar na pesquisa. O Brasil ficou em 69º entre os 128 países pesquisados. Dos 100 pontos possíveis, nosso país obteve 33,2. Os quatro primeiros colocados tiveram entre 61 e 66 pontos. Hoje, o Brasil investe cerca de 1,2% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, enquanto a China e o bloco europeu desembolsam aproximadamente 2%, segundo a OCDE (organização que reúne grandes economias). Esse quadro nos leva a um grande questionamento. Os países mais inovadores são os mais desenvolvidos? Não necessariamente.

    Há duas vertentes neste cenário. A primeira são os países mais inovadores que podem não ter uma indústria capaz de explorar a inovação, técnica e economicamente, e gerar riqueza no próprio país e com isso não acontece o desenvolvimento local, como é o caso do Brasil. A outra possibilidade já são os países desenvolvidos que possuem os meios de industrialização e de geração de riqueza, porém podem não ter alto nível de inovação.

    A própria pesquisa do GII citou o Brasil como o terceiro país de renda média que mais tem qualidade de inovações, porém é considerado pobre quando se refere ao ambiente de negócios, habilidade de gerar outputs de inovação e criar novos negócios. A baixa taxa de transformação de pesquisa e desenvolvimento em aplicações comerciais no país pode ser explicada pela fraca colaboração entre empresas privadas e universidades. Para reverter esta situação seria importante fortalecer parcerias publico/privadas, para gerar mais inovações e proporcionar cenário econômico favorável à exploração da inovação.

    O forte incentivo do governo faria a indústria Brasileira disponibilizar as inovações ao mercado, ao invés de fabricá-las na China. Para se ter uma ideia, os países, especialmente os mais ricos, já investem somas expressivas para desenvolver o potencial inovador de suas empresas locais. Isso se traduz em novos produtos, processos e patentes, que têm relação direta com o desenvolvimento da economia, geração de renda, empregos, além do aumento da competitividade. A conclusão é clara, investir em geração e exploração da inovação é fundamental para aumentar o crescimento econômico a longo prazo do país.

    Foi apurado, em recente pesquisa da Confederação Nacional de Indústria, que seis em cada dez líderes empresariais brasileiros que comandam negócios inovadores consideram que o grau de inovação no Brasil deixa a desejar.   De acordo com Francis Gurry, diretor-geral da OMPI, o relatório sugeriu que a América Latina, e especialmente o Brasil, entrou em um período de turbulência econômica e é importante superar limitações econômicas e políticas de curto-prazo e redobrar os compromissos com inovação em longo-prazo. “Descobrir novas formas de crescimento e alavancar oportunidades criadas por inovações globais são prioridades para todos”, observou Gurry.