Boas práticas inovadoras na educação: a trajetória da Schoolastic

Nunca se falou tanto em inovação quanto nos últimos anos. Esta palavra que, por vezes se confunde com outra parecida - invenção -, significa criar algo novo com aplicabilidade, ou seja, utilizar ideias inventivas com aplicação em produtos e serviços. Também pode-se considerar um projeto inovador aquele que propõe algo novo a partir de produtos e processos existentes. A inovação não se limita a um setor específico. Pelo contrário, é possível encontrar boas práticas inovadoras nas mais diferentes áreas: engenharia, gastronomia, saúde, educação, comunicação, meio ambiente, entre outras. Em comum, todas encontram o conhecimento e a criatividade.

Sempre atenta a ideias que se destacam e cumprem um papel social, a Stock Marcas e Patentes conheceu a Schoolastic, uma startup gaúcha que está entre as mais inovadoras da educação no Brasil. E, após realizar uma entrevista com um dos sócios da empresa, compartilha essa história de sucesso.

Tudo começou com dois empreendedores da área de TI há cerca de 4 anos, Daniel Nascimento e Luiz Orlandini. Eles tinham como desafio a criação de uma Agenda Digital que facilitasse a comunicação entre as escolas e os pais dos alunos. No entanto, no processo de desenvolvimento do produto, perceberam que o problema não estava em aproximar pais e escolas e deixá-los informatizados. Existia um desconhecimento generalizado sobre o perfil de aprendizagem de cada estudante e também quais as potencialidades e gaps que precisariam ser trabalhados ao longo do ano letivo.

"Quando percebemos isso, resolvemos criar uma plataforma que permitisse pais e professores conhecerem a individualidade de cada um dos alunos", explica Daniel Nascimento, um dos fundadores da Startup.

Para atender a essa necessidade, os sócios resolveram criar uma plataforma que fosse capaz de reconhecer as potencialidades, gaps e aptidões dos alunos. Nessa caminhada se aliaram a outros dois sócios com expertise na área de educação: Almir Vicentini e Adriana Marin. Assim nasceu a Schoolastic.

O sistema funciona por meio de uma ferramenta web e um app que, depois de alimentado com informações dos estudantes, gera relatórios individualizados. Conta com 22 indicadores pedagógicos que abordam as competências sócio-emocionais, as inteligências múltiplas e também as aptidões de aprendizagem

"Além de permitir um maior conhecimento sobre cada aluno, o app consegue identificar quando há algum distúrbio de aprendizagem, como a dislexia, por exemplo", explica Daniel.

Com os relatórios em mãos, a escola tem um bom subsídio para montar um plano de aprendizagem, pensando no grupo e no indivíduo, promovendo uma verdadeira inclusão do aprendizado em sala de aula.

Segundo dados da própria empresa, desde a sua criação, a plataforma já impactou mais de 11 mil pessoas. Atualmente ela é utilizada em 16 escolas, em São Paulo, Minas Gerais, Tocantins e Rio Grande do Sul, e atende mais de 5 mil alunos.

"Nós acreditamos que é possível qualificar o processo de aprendizado a partir de um olhar mais individualizado dos professores para os alunos. E essa reflexão só é possível se existir o conhecimento sobre as aptidões e dificuldades", destaca Daniel.

Desafios

A metodologia utilizada pela Schoolastic é uma adaptação do Plano de Desenvolvimento Individual (PDI), utilizado por profissionais com objetivos de desenvolvimento de carreira e compreensão de competências que podem melhorar o desempenho. Entre os principais desafios encontrados nessa trajetória, Daniel destaca que o segmento da educação, por ainda ser bastante tradicional, apresentam inovações muito disruptivas. Isso foi contornado com muita troca de conhecimento, e um processo de vendas estruturado que busca prover o cliente de diversas informações para deixá-lo preparado para a compra.

"Toda mudança pode gerar um pouco de resistência. O resultado do app é a combinação de várias ideias que foram sendo acumuladas a partir de nossas vivências. O mais gratificante é ver que os professores começam a fazer reflexões a partir das questões apresentadas", ressalta.

Além do objetivo de ampliar a implementação da Schoolastic nas escolas brasileiras, a Startup também oferece uma solução para que as famílias possam aplicá-la em casa. A plataforma Reconheça-me oferece ferramentas para pais apoiarem o desenvolvimento de seus filhos.

Recentemente, a Schoolastic, que tem sedes em Porto Alegre (RS) e São Paulo (SP), ficou entre as seis startups de educação mais inovadoras e de maior impacto do país, como finalista do SingularityU Brazil Global Impact Challenge 2018.

Empresas de tecnologia

A Stock Marcas e Patentes tem grande ligação com iniciativas inovadoras e tem entre às suas áreas de atuação, a proteção e o apoio de startups desde a sua formação. Além disso, entende que a divulgação de boas práticas, que mudam a vida das pessoas, pode contribuir com o desenvolvimento do país.  

"A Schoolastic é um aplicativo que tem um serviço de conhecimento pedagógico e psicológico intenso por trás. Mesmo não sendo nossos clientes, acreditamos que contar essa história de sucesso pode fomentar a criação de novas oportunidades", ressalta a sócia da Stock, Cassandra Raimann



Foto: Schoolastic finalista da SingularityU Brazil Global Impact Challenge 2018 | Crédito: divulgação